Créditos
Querido,
em quantos amores
um coração
pode se quebrar?
Meus ossos já não suportam mais a carcaça podre dos teus delírios. Poesia escrota e incoerente corre em minhas veias.
Sou o poeta, o mártir, o infinito, o universo e as estrelas.
Estou em cada ponto cego do teu campo de visão.
Sou a essência da tua dor, o teu desgosto e tua vaidade.
Sou teu caso mal resolvido, um velho amigo.
Não abandono teus pensamentos, nem te deixo esquecer.
Decreto a partir de hoje meu estado de loucura. Passei meu aniversário no chão frio do banheiro numa posição fetal bem debaixo do chuveiro. Lembro que me senti velho, inútil, pequeno, cansado e sozinho. Fechei os olhos e chorei, senti a dor e o peso de mim. Passaram-se sete meses e tudo que vejo no céu são luzes artificiais. Parei com a bebida e os remédios já não fazem mais efeito. Não tenho no que me agarrar. Devo ser uma espécie de erro no sistema. Um paradoxo. Exato, não passo de um equívoco de quase duas décadas, um ser de mente arruinada que nunca teve motivos para derramar uma lágrima de felicidade. Uma criança perdida sem pais, sem paz. Gostava de me perder e morri pouco a pouco quando fui esquecido, esquecendo. Festas perderam a graça, pessoas eram chatas, os amigos não existiam. Suicídio é não ser lembrado. Assim como o dia cede lugar a noite repentinamente, perdi minha crença. Me enfiei num buraco tão profundo e escuro de mim que não há mais saída, a porta se fechou. Deixei de existir.
Sereno. Introspecção.  
Feito flechas
ragas de dor meu coração
atingindo em cheio
este meu ego que infla
a cada flechada, atirado
morro seco no asfalto
atrapalhando o fluxo
dos carros que passam.
Mônaco | 1960 
Eu sou o caos, a sombra escondida na penumbra da noite, sou o devasso, o promiscuo, sou amante dos amantes, sou a fantasia não realizada criada por mentes cansadas, sou o maior segredo de todos os tempos, eu sou a destruição. Masquei meu próprio coração, o sangue transborda por minha face agora corada, eu me amo, e este é o meu maior mistério, sou resguardado, e o meu coração dou a quem merecer, a quem eu quiser, tento esconder, mas tudo isso é uma mentira, eu sou a própria desilusão dos amantes mal amados, escondido nas sombras inócuas de um sorriso, estou apenas fingindo.
Os sentimentos que eu nunca lhe falei.  
Estávamos fadados
ao fim desde o começo
sendo iguais em gostos
uma hora nos contrariamos
e nos fadamos ao fim certo
de algo que inicialmente
parecia ser eterno.
Mônaco | 1960 
Quem me diz
que no final da estrada tem espinhos
e que nestes espinhos não irei me ferir
vagando numa estrada sem fim
estrada que acaba no começo
sempre me jogando ao recomeço
de uma estrada com alegrias,
repleta de explosões tristes
de colisões e luzes que me iluminam
e dos espinhos que me perfuram
numa estrada que ninguém
me diz onde dará.
A.L. | Inspirado em Marcelo Janeci. 
Meus pulmões inflam porque precisam, não porque amam o oxigênio. Meu coração pulsa porque é preciso, não porque gostam de bombear sangue para as minhas veias. Meu cérebro pensa porque tem que pensar, é uma necessidade automática. E eu estou aqui porque tenho que estar, não porque quero estar.
Igor Hastings        
O segredo era manter quatro paredes ao redor da gente. Dentro de quatro paredes, tinha-se uma chance. Uma vez que se está na rua, já não há chance alguma, está tudo perdido, tudo realmente perdido.
Charles Bukowski,  Ao Sul de Lugar Nenhum 
Se mares for
se afogue
em água rasa.
porque quem passa
irá ver o barulho da imensidão.
Vinicius Cinereo 

"Somos como vitrines de lojas, onde passamos nosso tempo a arrumar, a esconder, a colocar em evidência as pretensas qualidades que os outros nos concedem — para nos enganarmos a nós mesmos."

Friedrich Nietzsche. In: Aurora

Porque sabia que a ausência dela doeria mais que qualquer fim de namoro.
O Teorema Katherine.